Já era
tarde quando Yasmin, chorando abriu a bíblia e nela tinha um bilhetinho com
bordas douradas que dizia “Você tem lindos olhos, filha”.
Imediatamente
a pequena donzela enxugou suas lágrimas e sorriu, mas logo pensou ser uma
bobagem acreditar naquele bilhetinho e seu coração novamente chorou.
Alguns
dias depois, a garotinha dos cabelos encaracolados, passa pelo espelho com
rapidez para não se vê, e logo veste suas roupas folgadas para não chamar
atenção de ninguém.
Seu jovem
coração anda cabisbaixo... ela pensa não ser boa em nada.
Um
passarinho chama sua atenção e a leva até a caixinha de correios. Em cima da
caixa está outro bilhetinho com bordas douradas!
Enquanto lê
um sorriso começa a se forma em seus lábios e ela sente uma brisa tocando seus
cabelos e entrando em seu coração e o deixando cheio de alegria.
O bilhete
dizia “Não gosto de vê-la chorar, por isso enviei o pássaro mais belo e fofinho
do meu jardim para fazê-la brincar. Ah notei suas roupas que parecem maiores
que você... gostei da cor! Risos... Papai”
Esse dia
foi diferente. Ela dormiu tão bem.
Amanheceu
e a pequena donzela não conseguia parar de pensar nos bilhetinhos recebidos.
Ela procurou em seu guarda-roupas bagunçado o primeiro bilhete. Isso levou
algum tempo, pois estava tudo realmente bagunçado. Enfim ela o encontrou e
guardou em um lugar especial.
Alguns
dias depois ao caminhar pelo jardim ela nota ao longe outro bilhetinho,
amarrado em uma rosa com uma fita amarela. Ansiosa ela abre e começa a chorar
copiosamente.
O bilhete
dizia “Papai tá vendo que sua alma está como seu guarda-roupas. Eu não quero me
gabar mas entendo tudo sobre criação e organização, se você me permitir
ajuda-la, ficarei muito feliz. Você não precisa fazer nada sozinha”.
Aqueles
bilhetes estavam mexendo em sentimentos profundos da pequena donzela. Ela
acreditava ser a única a saber sobre os entulhos guardados em sua alma.
Até que
ela decide que quer conhecer este Papai misterioso, e lhe escreve uma carta. Ao
escrever lágrimas caem como gotas no papel amarelado... - Como vou chama-lo? Pensava
e chorava. -Papai? Ah, mas eu não confio em “Papais”, afinal de contas eu tive
um que nunca se importou comigo, com meus sentimentos.
Ela
respira fundo e então registra com sinceridade o que diz seu coração. –Olha só
Papai Misterioso, estou cansada! Acho que em meu coração não cabe mais
decepções nem exigências. O que você quer de mim? Porque está me observando e
dizendo sobre coisas que tento esconder?
Yasmim
vai ao jardim e deixa sua cartinha entre as flores.
Passam-se
três longos dias e nada de bilhetes. A pequena está sem forças, sem esperança, mas
resolve mandar um bilhete, soluçando de tanto chorar ela escreve – Será que
posso confiar em você? Por favor não se esconda. Estou aqui. Desesperada.
Quando
ela está a caminho do jardim, avista um bilhetinho. Sim é do Papai Misterioso e
diz assim – Minha pequena, me achareis, quando me buscardes com todo o coração.
Tudo que quero é espaço em seu coração. Confie em mim, porque Sou sempre bem
presente na hora da angustia.
Yasmin
sem entender muita coisa, sente um leve toque no ombro, quando olha para traz é
o Jardineiro, ele está tão belo e radiante. Ele pega em seu queixo erguendo sua
cabeça, a olha nos olhos e diz: -Venha filha descansar! Ele a pega no colo, a
aperta em seu peito e a leva em seus braços para seu quarto.
E foi
assim que Yasmim conheceu o Papai Misterioso, que se tornou seu melhor amigo.
Ah e eles
passaram aquela tarde toda conversando, enquanto Papai arrumava seu
guarda-roupas e sorria de algumas peças com estampas engraçadas.
"Com amor eterno EU
te amei; por isso, com benignidade te atraí" (Jeremias 31.3a)

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