Escondida no guarda-roupas


Hoje eu estava lembrando de quando me escondia no guarda-roupas para chorar (ser pequena tem suas vantagens rsrs). Bem, isso faz muito tempo, mas recordo de que aquele guarda-roupas era meu refúgio. Eu sempre corria para ele quando queria fugir de tudo, quando surgia aquela ideia de que “eu sempre estava inadequada nas ocasiões” e “minha família seria bem melhor sem mim”, “se eu sumisse ninguém sentiria falta, porque não sou amada”. Aquele lugar conhecia uma menina insegura, triste, volúvel, que não sabia se expressar, nem fazer amigos, que se achava o pior dos seres humanos, a feia, a sem graça...
Diferente de “As Crônicas de Nárnia” aquele guarda-roupas não me levava a lugar algum, nenhuma história nova ou sonhos, fantasias... nada, absolutamente nada além daquilo que eu levava para ele. Mas um dia, um homem invisível me convidou para eu me esconder em outro lugar secreto; “Debaixo das Asas”. Tá, beleza, isso é bem estranho, mas te explicarei.Debaixo das Asas, eu pude falar de tudo o que eu sentia, sobre tudo mesmo, e nele eu fui ouvida de um modo especial, minhas palavras não pareciam mais estar sendo jogadas ao vento, eram compreendidas uma a uma, sem julgamentos ou críticas destrutivas. E ao falar da minha dor, um peso saiu das minhas costas, o nó da garganta se desenrolou e consegui ver tudo de uma outra perspectiva, pois recebi conselhos amorosos e sábios.
Debaixo das Asas, eu pude separar o meu “eu” dos “problemas” que aconteciam a minha volta. Naquele lugar minhas angustias não pareciam mais tão grandes e minhas dificuldades se transformaram em obstáculos possíveis de serem vencidos. E enfim, descobri ali alguém que era louco por mim, apaixonado mesmo, disposto a me ajudar e investir em mim para que eu fosse a melhor versão de mim mesma, porque eu não era o “ser horrível” que pensava.
Agora vou te esclarecer como cheguei ao lugar chamado “Debaixo das Asas”: Ouvi falar do “homem invisível” que se chama Jesus, e fui para o meu quarto, dobrei meus joelhos e chorei, abri meu coração, senti realmente que alguém me ouvia, então fui sincera. Enquanto eu lhe abria meu coração senti sua presença e como se fosse um pensamento Ele falava comigo, de um modo sobrenatural eu experimentava um abraço aconchegante.
Então, Jesus me convidou para ser sua irmã e descobri que as Asas que eu estava debaixo tinha um dono, era aquele que eu chamava de DEUS. Hoje ando colada em Jesus e sempre que as coisas apertam e me dá aquela vontade de largar tudo, eu corro para Debaixo das Asas e saio de lá cheia de esperança e renovada para continuar a caminhada.


“Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Salmos 57:1

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